Monday, June 26, 2006
#_001 - Bom dia
Passam precisamente 21 minutos das 9 horas da manhã, e eu acabo de vir da escola.

Desejo boa sorte à turma, saio da sala B1, desço o 1º andar. Dou alguns passos e encontro o professor de ITI:

- Então... não ia fazer exame agora?
- Bom dia stor. Não, eu vim só trazer os meus dicionários a uma colega. Eu não faço porque anulei alemão.
- Então e os outros exames, têm corrido bem?
- Até agora só o de português. Eu propus-me como externa a filosofia, sempre tinha tido cerca de 18, então estudei por fora e apostei em filosofia... era uma das minhas provas de ingresso. Mas agora não sei.
- Precisa de 9,5. No mínimo.
- Pois!
- Mas ainda lhe faltam alguns, não desanime. Latim é já amanhã, você é boa aluna a latim, com certeza fará um bom exame.
- Assim o espero...
- O maior problema do seu curso é que acaba este ano.
- Exacto, mesmo que eu queira fazer melhoria, caso não entre na universidade, nem isso posso.
- Mas não desanime... está bem? Faça os outros exames e depois logo vê os resultados.
- Pois, tem que ser! Eheheheh
- Então, boa sorte! E boas férias.
- Igualmente, stor. Bom dia.

Saio do Bloco 1. Vou ao poli verificar as pautas.

- Latim vai ser na A4, às 9h - decoro mentalmente.

Saio da escola, desejo um bom dia ao porteiro, que mo retribui, venho pra cima. Venho ao escritório antes de ir pra casa, onde estou agora. A porta fechada à chave: as 3 fatais voltas. 4 e-mails recebidos desde sexta. As horas indicam-me que se aproxima a largos passos a hora da chegada do meu pai, que me não traz o meu pai, mas o pedaço mais formal de si, que se alia aos livros e documentos, e teclas e páginas, e se torna um só, tal como "deve ser".

Cesso da captura dos pensamentos formais, que me nada dizem, e pergunto-me: para quê tudo isto? Esta realidade, que me nada diz. Os horários e lugares marcados que me acercam, lá fora, o constante encobrimento da selva em que vivemos, o disfarce da indiferença. Talvez inconformidade; talvez algo mais: há uma lacuna. Talvez por soar tudo a dissimulação geometricamente estudada, quase "perfeita", todas as formalidades por mera formalidade, a verdade revestida de capas e setas que se apressam a indicar atalhos para becos sem saída, e os segundos que pesam, no pesar das horas, como se de Atlas se tratassem, e como se Atlas não conservasse já a sua força de titã, porque...

Aí esta ele. Bom dia.
 
posted by Esfinge at 09:21 | Permalink | 3 comments