Thursday, November 30, 2006
#_224 - Opá, Se Eu Fosse Uma Personagem Do South Park...

...seria exactamente assim! xD

Experimenta =====> aqui
 
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#_223

Talvez seja necessário sentir nas pontas dos dedos os espinhos, antes de as pétalas nos envolverem os sentidos, para valorizarmos a rosa na sua essência.

Talvez seja assim com a vida...

(Ao som de Música de Filme - Toranja)

XLVIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
posted by Esfinge at 18:45 | Permalink | 0 comments
#_222 - As 5 Regras Fundamentais A Quem Quer Estudar Direito
1 - Exorcisação: Sabem aquela mala bonita? Sabem aquele jogo de futebol imperdível? Pois não deviam. Isso são demónios maléficos dentros de vocês.

2 - Espírito Sacana: Comprem o maior Dicionário de Língua Portuguesa que encontrarem na papelaria mais próxima. Aprendam o máximo possível de termos esquisitos e depois aproveitem para se vingar sempre que escreverem alguma coisa.

3 - Amor ao Próximo: Jamais peguem num livro de 800 ou mais páginas pela capa. Ele sabe mais que vocês e esse gesto descortês pode provocar um certo desconforto ao seu universo de sabedoria inatingível. É uma alma sensível, pode tentar o suicídio.

4 - Astúcia: Celebrem um acordo com um velho dono de uma plantação de café. Se tiverem má nota no exame, lembrem-se de o processar pela subcarga do vosso hipótálamo. Afinal, nós somos os marçanos da Ciência Jurídica e ele é um velho interesseiro.

5 - Prudência: Jamais criem um belogue.

P.S.: Epá, o que é? Uma pessoa que está oficialmente à rasca já não tem direito a fazer uma pausa pra lanchar? o.Ô mau...
 
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#_221
Como num baile de máscaras, a fantasia não me finda jamais. Dois passos de dança e transfiguro-me. Sorrio, por trás da desdita da forasteira; lastimo-me por trás da imponência da imperatriz.
Diana sopra da sua mão um fino pó para o infinito, e um véu negro cobre o mundo. A seu lado, estou eu, no segredo das estrelas. Tutelo a angústia de percorrer todo o céu e não encontrar a resposta.

XLVII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_220
Não posso ser a estrela que te brilha por entre a escuridão e te aponta o caminho certo com um sorriso. Sou mais errante que um vagabundo. Se vires em mim a rosa-dos-ventos, ficarás submerso por entre um mundo demasiado enleado: o ar que me faz respirar asfixiar-te-ia; a minha linha recta é para ti um ziguezague incerto.

XLVI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_219
Etimologia das Muralhas - VIII

- Exigência

O último batalhão de um rei que implora.

XLV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_218
»» Corrida Contra O Tempo

Um trago de adrenalina desperta gestos mortos, como uma rasteira a poucos metros de uma corrida que não cativava e que se vence por inspiração da Fortuna.

XLIV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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Wednesday, November 29, 2006
#_217
»» Asas Vagabundas

Quem nunca caiu na teia, quem nunca se soltou pela força e pela fé no desígnio e voltou a ascender por fim, não sabe verdadeiramente o que é voar.

XLIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_216
»» Marioneta

Não há alento; não há quebra: sinto-me como que uma marioneta.
Leva-me para o teu teatro. Prometo que desesperarei quando acenares e sorrirei quando estalares os dedos. Acreditarei na beleza dos bosques de Vénus, se me falares deles. Ansiarei por impossíveis quimeras se lhes apresentares a porta que conduz ao meu coração. Odiarei a mais graciosa das flores se me fizeres sentir nela unicamente os espinhos.
Desenha-me asas só para que eu caia sem cessar. Cede-me o caminho mais fácil e alicia-me com o labirinto, só para me fazeres oscilar com o peso do mundo. Assombra-me com o brilho do teu sorriso, a mim, que sou cega, só para me conduzires à loucura.
Profetiza o meu afogamento, se assim dita a sentença da tua sede. Dedica-me as estrelas e faz-me devolvê-las sem as nunca ter tido. Põe-me frente a frente com a tua ausência, obriga-me a olhá-la nos olhos, a acolhê-la entre os ecos de ti...
Faz-me render como as candeias se rendem quando os teus lábios se articulam num sopro. Acorrenta a minha essência à tua vontade; traça o meu rumo à (tua) sorte. Cativa-me sob o império da minha liberdade, esta liberdade que me prende eternamente.
Hoje não faz sentido. Hoje não faço sentido. Por isso, leva-me para o teu teatro. Declara-me rainha perante os súbditos que nunca teremos. Coroa-me com a tua presença, promete-me a eternidade que não avassalas, toca para mim a sinfonia que nunca comporás. Hipnotiza-me com fantasia sem fim, que os deuses não tardarão a confiar-me um cálice de veneno, não tardarão a fazer-me beber a paulatino gole da desdita em igual medida...

XLII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_215
»» Bilhete número 432.01.93259

Hoje dói-me a partida. Gostava de te ter abraçado... Mas retive-me. Foi a dureza dos anos a travar-me de mim, como um veneno demasiado ágil...
Fiquei a olhar a gárgula, no alto da muralha, quando já te não podia ver. Fiquei a contemplá-la, noite adentro. E reconheci-me no seu olhar cansado.
Doeu-me ser como a gárgula. Doeu-me ser de pedra. Doeu-me sentir que poderia ter sido algo para além de uma esperança petrificada um dia. Doeu-me deixar-me esculpir pelas mãos de um medo vagabundo e ser uma estátua viva, imobilizada nos gestos.

XLI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_214 - O Momento Mais Ansiado Da Semana
E chegámos ao momento mais ansiado da semana. Multidões de fãs atropelam-se, gritam histericamente em direcção à Apoteose do Non Sense, só para colarem o nariz ao despejar da esquizofrenia desta semana.
O melhor de tudo é que, desta vez, este momento ocorre mais cedo que o costume: a meio da semana, e não no fim. E vocês perguntam: mas porquê? E depois alguém realmente atento brada "duh, a Esfinge está oficialmente à rasca!". Poisé. Então vim pra casa mais cedo para me dedicar ao estudo da História do Direito Português.

...só que, depois do episódio de hoje, a última coisa em que consigo pensar é naquele imponente livro cor-de-rosa.

Deixo-vos com Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto.
 
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#_213 - Parabéns...
...à Berta! =D
 
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#_212 - O Realizar do Sonho de muitos - um caso insólito, mas acima de tudo, verídico
Vamos imaginar o seguinte cenário: vocês estão no vosso quarto. Ao som de uma música brutal. Estão quase de saída. Têm a mala aberta. O livro que têm na mão é a última coisa que falta.
De repente, ouvem pum! E depois água a correr. Passados alguns momentos de indagação, dirigem-se à casa de banho. E veêm um pequeno lago. Que se apressa a transformar num grande lago. Desfrutam de precisamente duas horas para andarem a fazer de sereia. Até apanharem oito baldes de água e o sonho de uma vida cair por terra.

Phew... O rebentar de um cano é uma cena lixada.
 
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Tuesday, November 28, 2006
#_211 - A Imagem do Momento
Estou oficialmente à rasca. Descobri, graças a uma prestável colega de subturma, que na próxima segunda-feira tenho um exame de História do Direito.
Nisto, todos os meus neurónios dão as mãos e martelam "estuda, Esfinge, estuda, Esfinge, estuda, Esfinge, estuda, Esfinge", como uma música idiota com que se acorda na cabeça pelo menos uma vez por mês.
 
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Monday, November 27, 2006
#_210 - O Meu Alter Ego
Parece-me a mim que a questão mais idiota que se pode colocar a alguém que alcançou o último degrau de uma escada com uma mala é exactamente "queres ajuda, boneca?", seguida da já decadente piscadela de olho.
No entanto, é em momentos como este que o meu alter ego sádico vem à superfície. Eu consigo ver-me a mandar parar o primeiro condutor que passar, ocupar o lugar dele e atropelar aquele desgraçado pelo menos 450 vezes. Consigo ver-me a atirá-lo pra uma trituradora. Consigo ver-me a tatuar-lhe "nunca mais vou importunar a Esfinge com as minhas tretas". Com ácido sulfúrico. Consigo ver-me a cortar-lhe a língua e depois dá-la a um pitbull. Consigo ver-me a dar-lhe uma descarga eléctrica na cabeça. Consigo ver-me a "besuntá-lo em mel e atirá-lo aos ursos". Consigo... Nisto, surge alguém que diz inocentemente "olá fofinha!". Dentro de mim há um eco.

Muahahahahahhah, do you punk? xD
 
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Sunday, November 26, 2006
#_209 - Conversa com o meu Belogue
Querido Belogue,

Estás tão grande... E eu sinto muito orgulho em ser a tua progenitora. Sinto mesmo. Mas tu estás grande, e temos de ter aquela conversa.
Eu podia começar por falar em cegonhas. Ou podia falar de sementinhas. Mas tu és um belogue, vives na internet e estás informado. Provavelmente sabes mais do que eu alguma vez saberei. Por isso, vamos directos ao assunto. Tu tens 5 meses. És jovem e saudável, embora tenhas peso a mais. Mas isso, se passares um mês a postas light, vai lá.
Bom, mas o que eu quero realmente falar-te é do futuro. Eu sei... não negues, e olha pra mim quando falo contigo! Bem, vamos lá a ver se temos de nos chatear. Eu sei que tu andas de olho no belogue do Brainz. Desde o primeiro momento que eu sei isso. Mas eu quero que penses no futuro. Imagina: vocês vão jantar fora, entretanto começam a conhecer-se melhor, começam a namorar... casam... e pronto! Depois pensam no quê? Pois, primeiro é nisso... suponho eu. Mas depois pensam em ter filhotes. Constituir família. E estamos a falar de constituir família com o belogue do Brainz, que é um belogue que pensa que é uma mala de crocodilo. Consegues imaginar uma mala de crocodilo com um iogurte? Imagina o dia em que rebentam as àguas. Vão prá maternidade. Tu, nervoso, andas de um lado pró outro, a disparar pedacinhos de morango em todas as direcções. Quando, de repente...

- Senhor Apoteose!
- (pum, pum, pum, pum, pum, pum)
- São gémeos! É um dan'up com rabinho de crocodilo e um danoninho a tiracolo!

Por favor... Para esquisitos já chegamos tu e eu. E depois, convenhamos, o belogue do Brainz é uma mala de crocodilo... Alguma vez tu vais ter dinheiro pra pagar sequer um copo de água num restaurante chique? Claro que não. Tanto tu como eu continuamos pobres desde a carta que te escrevi. Vá lá um jantar nos chineses. Sem sobremesa incluída. E mesmo assim teríamos de andar a pedir pelas ruas de Lisboa.

Pensa nisso, pequenote! ;)

»» Esfinge

 
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#_208 - O Pódio ou A Constatação da Crise em Portugal

Pormenor:



(Por breves instantes, tive vontade de abrir os bracinhos e gritar algo como "I'm the queen of the woooooooooooooooooooooooorld". Mas não gritei. Doía-me a garganta.)

Obrigada =)
 
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Saturday, November 25, 2006
#_207
»» Circe

O Inverno uiva dentro de mim. Soltei os meus arqueiros, sílfides vagos que disparam sobre o mundo as suas flechas de cristal. Ordenei aos titãs que rasgassem o céu, e às musas que dançassem, que inspirassem o mundo à escuridão. Como estátuas de pedra, entoam o seu último cântico e afogam a face nas mãos.
Sepultei o mundo. Com um toque, transfiguro as cinzas que ardem ainda em pétalas de rosa, fosse o mundo incensário. Estendo-me ao longo do meu leito, afasto o véu que dele me separa e olho-o nos olhos. Como num feitiço perfeito, sorrio subtilmente.

Somente o desejo de ver o sol ficou...

XL, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_206
»» Miragem

O perfeito traço, sem haver neles a perfeição: a tortura do espelhar, como um eco de silêncio a bradar-me pelas veias, a rasgar-me a réstia de razão que me acorrenta ao chão. O badalar das horas marca o disparo do tempo contra mim. Não lhe cessa a munição e a mim não me finda a perseverança.
Como que adormecida, não há caminho que a prudência me tutele e aponte. Por isso, flutuo por entre as miragens do sonho, e envolvo-me no enredo - a única realidade que apreendo desde há muito.
Deslizo por entre as pedras enquanto me desloco para o local que se instaurou na minha mente como o Éden. Quase sempre vazio, transforma-se no deserto onde repouso do mundo. Talvez um deserto cuja areia é o que resta da poeira de uma memória, mas se o é deveras, é poeira do mais brilhante dos astros.
Fecha-se o átrio do meu mundo. Não vejo mais nada, não ouço, nada me demove da minha chegada e da tua espera. É como se certo perfume me tivesse embriagado os sentidos e eu me consagrasse à miragem...

O perfeito quadro, sem haver nele a perfeição: a angústia do horizonte, como uma noite sem estrelas caída em mim, a despedaçar-me a réstia de razão que me acorrenta ao chão...


XXXIX, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_205
»» Conspiração

Por entre a transparência baça do vidro, capturo a minha imagem. Perdida por entre a multidão, parece oriunda de uma realidade diferente - tento desvendar.
Parte de mim conspira um minuto de silêncio. Só que o minuto fez-se hora, a hora fez-se dia, o dia fez-se silêncio e o silêncio fez-se ausência, como uma música de fundo demasiado alta e de tons demasiado vincados. A pronúncia do meu nome chega como um eco ao átrio do meu mundo, mas não lhe encontra familiaridade e renuncia-o. E metade de mim está na total ignorância. Talvez não por o meu mundo ser um labirinto imenso, mas por ser eu o espelho de mim própria, a bifurcação que jamais se apreenderá...

Sinto que sou o extremo em que se tocam dois mundos diferentes e, por isso, não sou nada: não posso ficar na asseveração da essência...

XXXVIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
posted by Esfinge at 19:43 | Permalink | 0 comments
#_204
»» Passagem

Como quem avista uma ponte, pergunto-me se será este caminho seguro, questiono-me se não ruirá quando por ela passar.

Mas por ímpeto vago...

XXXVII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_203
Penso: e não haver postas sem título foi a Decas que inventou!

Ah poisé.
 
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#_202
Penso: se o meu belogue continuar com este incessante crescimento de popularidade, vou ter de tomar medidas drásticas. Vou ter de falar com o Bruno Nogueira. E fazer um seguro. E contratar uns gorilas pra me protegerem.

Ou então ponho aqui Dzr’t com autoplay o.Ô
 
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#_201 - A Santificação de Borgan
Camaradas,

Vivemos um momento histórico. Não, não: um momento marcante. Não, melhor: nós vivemos um marco da história! (Pelo menos da história do Apoteose, não é...)
Óspois de termos alcançado pela primeira vez as 1000 visitas, não nos ficámos por aqui, e alcançámos também as 200 postas.

Mas não nos ficamos por aqui!

Hoje, cerca de 3 meses após a contratação e celebrização de Borgan, a jovem pulga feiticeira, guia e guarda deste espacinho virtual quando eu cá não estou, disse pra mim "ó Esfinge, comé? Então ando aqui a trabalhar pr'áquecer? Pagas-me ou é preciso fazer-te uma esfera?"
E eu pensei: coitadinha da pulguinha. Tenho mesmo de fazer alguma coisa por ela. Tem tido paciência de santa. Paciência de santa. Paciência de SANTA!

Et voilá, depois foi só arranjar uma coisinha que andasse sempre à volta da Borgan. Até porque dá um certo estilo ter uma pulga santa a proteger o belogue...
 
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#_200 - A Fantástica Posta 200 ou O Bloqueio de Escritora
Oooh, vá lá, eu já estou a corar...
 
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#_199
»» Etimologia das Muralhas – VII

- Força

A força é uma capa: uma retórica subtil que vestimos para obnubilar máculas.

As feridas saram... mas as marcas ficam – sararão deveras?

XXXVI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_198
Vivo na estação do desassossego da loira Ceres. Cada folha seca, cada pétala murcha é uma esperança a que a sua dor rasgou as asas. Sente-se no gélido ar um eco de uma melodia triste, como se o fim se tivesse antecipado e sentenciado ao nunca mais o sorriso.

XXXV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_197
»» Etimologia das Muralhas – VI

- Solidão

A solidão é a apoteose (da escolha) do nada: o afastamento de tudo o que nos cativa.

XXXIV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_196
»» Disco Riscado

Tenho a certeza que me encantariam as suas palavras, se os meus ouvidos as soubessem apreender ainda. Mas eu não pedi para me sentar na plateia. Nem pedi para vir.
Porém, persegue-me um insidioso eco: viro as costas e mais alto se expressam... Porquê, se esta música me repudia, por conhecer cada atenção, e os meus ouvidos a já não suportam por conhecerem cada nota?

XXXIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_195
»» Experiência

Uma última tentativa de conseguir despertar do piso gélido e separar-me deste abismo que há em mim. Agarro-me com todas as minhas forças a cada rasgo de inspiração. Tento guardá-lo dentro de mim como o conteúdo precioso do meu tubo de ensaio. Misturo cuidadosamente, mas sem seguir uma fórmula: um dia as fórmulas falham, deixando de produzir verdade - ou a vida, sempre tão diversa das artes humanas, revela os cálculos e descobrir-me-ia cientista em vez de musa da inquietação...

XXXII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_194
»» Longe

Errante pela estrutura lógica de mais um dia, percorro a estrada sem fim. Pesam-me as leis da gravidade, a métrica das horas e da vida, a retórica do carácter, o x e o y do meu caminho.
Sigo devagar, tão devagar que apenas a pressa de outros tantos denuncia a esfera de invisibilidade em que me movo. Sinto que podia ter o mundo nas minhas mãos e o meu maior desejo é virar-lhe as costas, dedicar-me por fim ao abismo que há em mim...

XXXI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_193 - Às Urtigas!
Cari legentes,

O Tempo é um factor de fugacidade extrema. Por isso, há que saber aproveitá-lo. Mas, para isto, é imperativo saber geri-lo. E eu assumo que não tenho sabido, conseguido ou mesmo querido geri-lo de forma a responder a determinados propósitos que se elevam nesta fase da minha vida.
Como já disse algures, até os sonhos e ideais estão sujeitos às leis da gravidade - embora e, no fundo, eu renegue secretamente este apotegma. Talvez pelo idealismo que os 18 ainda não afundaram, talvez pela imaturidade que nem os 18 conseguiram ainda fazer evoluir. Não sei, mas, também, neste momento também não tenho tempo para me lançar à descoberta.
Pelo que tenho entendido, apreender toda a diversidade da ciência jurídica demoraria muitas vidas. E quase contenho uma risada de escárnio, pois tantas mais demorariam a alcançar deveras a compreensão axiológica de estar aqui, neste mundo... A questão é que encarnar uma sensibilidade apurada e apresentá-la como o que somos e queremos ser não preenche as expectativas do mundo em relação a nós. Primeiro somos doutores, depois somos donos disto ou daquilo, de seguida, somos da família deste ou daquele e depois é que temos permissão para ser gente. Felicito a sociedade por se vangloriar da evolução e, tão contrariamente, se continuar a guiar pelos mesmos parâmetros. É, de facto, inteligente. A retórica sempre foi, aliás, a arma mais eficaz de quem não gosta do que vê mas também não gosta de dar um único passo para o mudar - até porque isso implica esforço.
Mas voltando ao que eu dizia, e ilustrando um pouco o que quero dizer, tenho cinco livros com uma média de 900 páginas para estudar, páginas essas que para dizerem “Lisboa é capital” descrevem todo o centro em quatro ou cinco páginas e só no fim é que avisam “ahh, é verdade, amiguinhos, Lisboa é a capital!”.
Numa ávida tentativa de auto persuasão de alguma coisa, vários autores impregnam os seus escritos de termos tão singulares que um dicionário que não me faça ir ao chão com o peso realmente não inclui. E isto é chato, por quatro razões óbvias:

1 - Quebra o raciocínio em ligações de ideias fulcrais...
2 - Incomodamos pessoas que não têm culpa nenhuma...
3 - Perdemos o interesse...
4 - Perdemos tempo desnecessário...

...só porque um emplastro qualquer decidiu despejar todo o seu conhecimento linguístico.

Ora eu até compreendia se as bíblias da treta fossem a publicação das maratonas da expressão linguística 2005, mas como é suposto irem parar a um público restrito – estudantes maioritariamente marçanos da ciência do Direito – apostarem numa abordagem mais simples era realmente uma ideia inteligente. Nós somos suficientemente inteligentes para intuir que quem se propõem a escrever um livro e o denomina “introdução a...” até percebe da coisa: afinal nós até temos o 12º ano completo. Mas nós não precisamos de saber que sabem. Nós precisamos é de aprender. Mas, e embora eles tenham tanta sabedoria naquele ego gordo, não conseguem alcançar a simplicidade do nosso dilemazito que, no fundo, é repudiado pra centésimo sexto plano como um “problema da idade do armário”.
Mas, lá está, eu no fundo sou uma miúda bué de inteligente. É que se fôssemos todos amigos e queridos uns prós outros, o Direito acabava e os gajos iam pró desemprego. E longe de mim querer prejudicar alguém, logo eu sempre fui uma apaixonada defensora dos direitos dos animais...
Em súmula, estou oficialmente à rasca. E se quero que fazer o vento soprar a meu favor, tenho que ser uma menina munita, pôr o meu drama existencial de lado, abrir a cabeça e despejar pra lá tudo o que conseguir, as fast as i can.
Não estou a preparar-me para dizer de forma subtil que vou deixar de escrever aqui, mas também não prometo que escreva tanto, porque já dou comigo a fazer directas e ainda nem estamos em dezembro. No fundo, assim que acabar a fase dos exames, tudo volta à normalidade.
Tinha uma escolha em mãos, fi-la e estou a dizê-lo. É mais que sabido que o mundo do Direito não é nem nunca foi a minha grande paixão e nunca o escondi. No entanto, foi este o caminho que várias ordens de razões exteriores a mim me fizeram enveredar e, portanto, cá estou, de cabeça erguida, a acreditar e a apostar nas mesmas razões, depois de, ao que parece, uma fase de negação. A aliar a isto, quando me envolvo numa coisa não desisto a meio e esta situação não vai ser excepção.
Expulsando algum alento da rebeldia, as bases teóricas em que assenta o Direito até conseguem ser interessantes se não nos deixarmos vencer pelo cepticismo no que este deve ser idealmente.
Eu não posso mudar as pessoas, não posso mudar o mundo e talvez nunca venha a fazer diferença alguma. Mas posso escolher como aplico o que me estão a ensinar. E por isso mesmo, mando às urtigas todo e qualquer emplastro emproado que me venha dizer que “o Direito não tem de se cruzar com a Justiça”, porque, no que depender de mim, há-de se cruzar.

E é com a comunicação desta decisão que vos deixo com a escrita de tradição que aqui parece vigorar, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto.

(Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006, 1:43)
 
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Sunday, November 19, 2006
#_192 - Publicidade Enganosa
Desenganem-se, eu só tenho o link prá Lista S porque eles têm apontamentos porreiros.
 
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#_191 - A Solução para os Meus Problemas
Eu já disse que adoro a internet? xD

=====>aqui!
 
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#_190
»» Etimologia das Muralhas – V

- Admiração

Gostamos de admirar com a devida distância os grandes vultos. Fascinam-nos todas as suas palavras ou feitos e, por conseguinte, somos cativados a vasculhar-lhes a vida.
E porque afirmo com tanta segurança estas palavras, afinal? O hábito é o grande guia da vida humana, já dizia David Hume. As pessoas regem-se por padrões e isso define o bom, o certo e o agradável, assim como o mau, o errado e o desagradável. Quem passa da linha, ou é venerado ou é odiado.

A questão é que ninguém escolhe realmente passar da linha.

Ninguém acorda um dia e decide que vai ser assim.

A apoteose é somente o desejo ilusório de nos unirmos a algo maior que nós. O fascínio é uma estrada.

XXX, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_189 - O Grito
- Ahhhhhhh!
- O que é que foi?
- Uma borboleta preta! Credo... parecia um morcego...
- o.Ô
 
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#_188 - Breve Confissão
Preciso desesperadamente de encontrar os meus manuais de latim até para a semana.

Nem é que eu tenha grande tempo para traduções ou leituras de índole clássica, mas a verdade é que era um bocado mau agora desnumerar os desabafos com o quarto.
 
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#_187 - Coisas que se escrevem quando não há sono e se tem um teclado à mão
Diga-se de passagem que passar de livros de 100, vá lá, 200 páginas, com bonecos e cores, e que, digamos, sugeriam uma leitura tão light que uma pessoa até tinha vontade de lhes pegar e bradar ao povo com vanglória “este é O MEU livro!” para livros de 1013 páginas, monocórdios, com uma capa foleira, um título gigantesco - tão gigantesco quanto o preço - e a letra microscópica é uma experiência algo... er... traumática.
É que chegamos à universidade e despejam-nos toneladas de sugestões bibliográficas, como se nós fossemos meras bases de dados. Nós até vamos entusiasmados, quer dizer, a faculdade é uma coisa grande, tem gente grande, tem objectivos grandes, sei lá, uma pessoa vai pra lá e até tem esperança de embarcar na coisa. Mas eu só tenho um metro e sessenta e três, e sinto-me vítima de ostracização - e também ela grande: é que não me falta a capacidade de pegar nas biblías de treta e lê-las de uma ponta à outra. Quem teve estômago pra ler todos os Harry Potter em coisa de um a três dias também tem estofo pra ler um livro de introdução à economia e outros tantos que, no fundo, e, mais uma vez, não contribuem nada de nada prá sua felicidade.
Mas vamos lá a esclarecer as coisas: eu tenho um nítido problema económico. (E o engraçado da coisa é que não tem nada a ver com dinheiro! ...o que é bom pra mim e pra vocês, caros leitores, porque vocês pagarem valor acrescentado pelas visitas ao meu belogue, que até é um bocado rasca, era o fim do mundo.)
Lionel Robbins, que é um tipo às direitas, classifica a economia como “a ciência que estuda o comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos susceptíveis de aplicações alternativas”, ou seja, traduzindo isto pra português: a escassez de vontade da Esfinge para estudar as cadeiras de Direito (»» provocada pela escassez de habilidade no desempenho das suas funções por parte de alguns professores »» provocada por uma vida muito pouco interessante »» provocada pela escassez de afirmação pessoal »» provocada por problemas no sector íntimo) implica com que ela tenha de fazer uma escolha entre as que tem à mão: ou vai às aulas; ou estuda em casa; ou manda tudo pró...
A Esfinge, por ser uma miúda minimamente prudente e por querer ser alguém na vida, vai alternado entre as escolhas possíveis. E afirmar estas coisas tem muita técnica por trás. Ah poisé. E por incrível que pareça, tem até um quid de racionalidade latente. E isto está economicamente provado.

Mas claro que há os custos de oportunidade.
 
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Saturday, November 18, 2006
#_186
»» Espelho de Transfiguração

É no cérebro que as cores ganham vida. Por isso mesmo, no olhar de um daltónico e no meu espelham-se realidades diferentes.
Olha para cada reflexo das minhas palavras, e agora diz-me: qual de nós vê a realidade - eu ou o daltónico? Mais: será que algum de nós vê a realidade deveras?

XXIX, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_185
»» Adágio de Fim

Enquanto ele se manifesta do topo da sua arte, assaltam-me anamneses quase desvanecidas, tivesse Pã eleito mais uma ninfa... tivesse cada nota da sua flauta atiçado a fúria dos céus... tivesse cada passo seu feito o chão estremecer...
Meros símbolos deslocam-se da minha folha de papel esquecida para a ele se aliarem e conquistarem voz. Fixam o meu semblante nas suas lâminas enquanto caminham estrategicamente e bradam-me através das palavras dele. Ele, por sua vez, ignora que a sua arte é foice em mim; eu ignoro tudo o mais.
Perco-me da noção e, de repente, a tua sombra ergue-se do fundo negro do meu olhar. Regresso já musa da inquietação, e quase te vejo... quase me puxas para junto de ti e repetes o que eu já havia pressentido que dissesses - ainda que só o teu silêncio o vá denunciado. Quase te sinto a amarrares-me ao mastro do navio e a deixares-me à deriva durante a tempestade. Quase te sinto de costas viradas para mim, espelho meu, quase sinto o sangue das tuas feridas nas minhas mãos quando tento virar-te e... Termina-me a anestesia...! Sou atirada para a luz, a luz que um sono demasiado adiado não deixa suportar, ahh, a luz que arde por onde quer que faça rastejar o olhar...
Filha predilecta da desdita, só me ergo para amaldiçoar o sol, que inunda de cor o teu desvanecimento por entre os meus dedos fugazes, que me deixa ver, que te deixa ver-me por uma última vez. E quanto mais te tento segurar, mais me cais e quanto mais me cais, mais me seguras... Quase nos abraçamos no adágio de fim, quase nos entregamos ao sorriso, quase...
Relembro as palavras que ficaram amordaçadas dentro de mim, enquanto o teu olhar denuncia o reino do nada... As palavras que queriam envolver-te suavemente e conduzir-te a uma esfera perfeita, um círculo sagrado onde jamais alguém te pudesse ferir... As palavras que são agora quimeras tingidas com o teu nome a sangue - e nada mais me resta.
Torna-se, enfim, a noite minha fiel guardiã: metamorfoseia-se em trevas a réstia de esperança que me colore os espelhos da alma e, por entre o caminho, assisto vezes sem conta à tua repetida queda para o precipício... Cada passo, um embalar esquecido - e adormeço dentro de mim, para sempre, quase sem querer...

XXVIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_184
Desconheces, mas o meu mundo é um labirinto imenso. Há quem edifique imponentes muralhas; há quem construa admiráveis palácios; há ainda quem se dedique à estimação de um jardim. Eu não tive a força de mil homens para arrastar pedras e enclausurar-me, não tive a vaidade de outros mil para me dar à ostentação e faltou-me a segurança de poucos para me dedicar a um jardim onde todos poderiam entrar.
Destituída de tais sortes, restou-me a minha arte: a fuga. Soube apenas filtrar-me por entre as fendas de mundos vários e ir deixando um rasto ténue - talvez demasiado ténue. Soube apenas ocultar-me por trás de prados mais longínquos do horizonte que o olhar alcança, e por isso a minha voz é como um sussurro frágil que dança no palco da mente de quem a ouve. Mas é preciso correr tanto, descer tantas espirais de escadas intermináveis para que possa chegar a tempo das palavras que quero pronunciar terem voz...

XXVII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_183
Não consigo lê-la daqui, mas sei todas as palavras que lá estão escritas. O hino que tu concebeste por arte vaga e que eu usurpei como nosso.

XXVI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto

 
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Friday, November 17, 2006
#_182
»» Quadro Momentâneo

Reparo na dedicação que o seu olhar esboça ao reflectir a sua imagem. Como a uma obra de arte, admira-a de longe com o fascínio de um erudito – sabe o que sabe o que vê – mas com a inocência de um leigo - indaga quantos traços lhe escapam ainda na sua (ainda tão vaga) contemplação...

XXV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_181
Nasci destituída de ambição. Sonhavas que me corresse nas veias, bem sei, mas em mim apenas coxeia - e eu sou como um chão demasiado agreste para lhe ceder dócil passagem.
Olha para mim. Se um dia conseguires fixar o meu sorriso com moedas deveras, teremos este diálogo: precisarei então que me abales, que me atires contra a parede.

XXIV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_180
»» Etimologia das Muralhas – IV

- Posse

Ter os teus traços gravados no brilho das cores de um papel - geradas pela ilusão de um olhar - não significa ter-te na mão. Mais: que se pode possuir num mundo em que nem o próprio sorriso se domina e prende ao sabor do desígnio?

XXIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_179
»» Etimologia das Muralhas – III

- Liberdade

Ninguém nos pergunta o que queremos ser quando nascemos. Ninguém nos pergunta quem queremos encontrar pela jornada do dia-a-dia e de que forma queremos que nos marquem. Ninguém nos pergunta realmente o que queremos fazer.
Hoje, mais que nunca, volto a dizê-lo: até os sonhos e ideais estão sujeitos às leis da gravidade.

XXII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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Friday, November 10, 2006
#_178 - Preparação Mental para o que aí vem - esse terrível mundo mau e injusto
Hoje, que é suposto ser o dia em que de repente eu ganho juízo, acontece uma coisa inacreditável...

Vou jantar ao Restaurante Chinês com os meus pais. Chegamos. Sentamos. Pedimos. E tal. Entretanto, vem o rapaz trazer as bebidas. Eu, numa boa, lanço as mãos à lata, e ia pra puxar aquela coisinha, quando fito bem a lata e me apercebo que não é aquilo que eu tinha pedido. Nisto, chamo o rapaz quando ele passa ao meu lado, um quase tímido "desculpe...".... Não digo nada e ele diz "ó minina..." e abre-me a lata o.Ô à minha frente o.Ô o.Ô e ainda por cima com ar de Einstein na fantástica habilidade de abrir a lata, mas com um olhar sarcástico, do tipo "vês, vês, ulsa, eu consigo ablil lata! Ihihihihih".

...e, pensando bem, aqui entre nós, acho que foi parte do dia em que se deu o tal click dos 18... o.Ô o.Ô o.Ô
 
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#_177
»» Etimologia Das Muralhas - II

- Amanhã

Não há divisão do tempo se não dentro de nós. Porque é que fragmentamos tudo? Porquê esta odiável tendência a categorizar e organizar o que é o uno? Apenas existe um presente eterno com prazo. Para nós. Porque não podemos viver a vida de outrem, porque não podemos voltar atrás, porque não é possível alterar as escrituras dos deuses.

XXI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_176
»» Etimologia Das Muralhas - I

- Esperança

Que fé pode haver num mundo onde tudo é falível, efémero, onde hoje é seguro e permanente e amanhã é mera página do ontem? E o brilho inicial? Que lhe adveio? Somos filhos do Sol: assim é a fé humana: dura apenas algumas horas no dia da nossa existência.

XX, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_175
Gostava de te falar de realidades que certo véu me veda de falar. Falar-te sem te dar um nome, sem te dar semblante... Sem que a minha figura se espelhasse nos teus olhos, sem que as minhas palavras ecoassem dentro de ti - ahhh, fosse eu éter vago...

XIX, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_174
Que te dizem as minhas palavras, quando te falo? Serão, porventura, exímias arautas do meu sentir, ou será esse feramente assassinado pelos mercenários vários que se escondem por entre o longínquo caminho até ti?
Pergunto-me se alguma vez caminhaste, absorto do que te rodeia, saudoso de telepatia, de falares sem quase precisares das palavras, sendo estas apenas como os guardiães de um templo, garantindo que tudo corre bem, mas dos quais não depende a essência do que protegem e asseguram.
Confesso que me sinto um pouco assim. Sinto-me distante, a olhar as pétalas murchas do ontem, amarrada a um aroma que cada vez mais desconheço, que me fugiu e de que somente ficou lembrança em mim, esperando ouvir um eco que me anuncie um novo trilho.

XVIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_173
Esta luta apopléctica dentro de mim arde-me como uma febre demasiado alta. Opositores e aliados destroçam-se sem olharem bem a quem: sinto que no fim nada restará.
Como tripulante de um navio no meio da tempestade, não tenho rumo. Não sei, sequer, se é minha vontade ficar aqui, lutar pela minha vida, salvar o meu capitão ou encontrar um porto seguro. A tempestade arrasta-me e eu não me manifesto.
Sinto-me a própria tempestade. Cada raio que atinge a terra é filho da minha fúria; cada sopro que lança a vida pra longe é apenas a minha vontade de me entregar à fuga eterna; cada gota que o céu verte é o destronar de rio demasiado litigioso com a sua água...

XVII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_172
»» 22:11

Sento-me no muro e olho para o céu. Para quê tanta majestade, ó Criador, se afinal é só fogo de vista?

XVI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_171
Sentes-te graciosa ao lançar as palavras de outrem, sem sentir que lhe foi na Alma quando as exprimiu. Olhar-te nos olhos e não no cálculo geométrico de cada gesto teu liberta: é impossível ficar cativo no vazio.

XV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_170
»» Breve Apontamento

Vou escrevendo sem intenção, sem plano, sem expectativa, sem sonho, sem desejo, sem ideal. Escrevo porque estas palavras estão em mim e eu quero arrancá-las; mas também não estou certa de querer perdê-las. Por isso, este breve apontamento.
Cessa em mim a noção do tempo, ou do que quer que seja, enquanto vou tentando enlaçar o perfeito feixe de luz para avivar este ângulo de sombras.
Cada passo meu é dado lentamente, por me ter embriagado de anestesia. Estranhamente, gosto de ter tempo de colidir. Gosto de sentir vagamente cada segundo do meu esquecido tropeçar para dentro do abismo, como se cada segundo tivesse a duração de mil segundos, e cada mil segundos tivessem a duração de cem mil segundos e cada cem mil segundos tivessem a duração de...
Gosto de ouvir os vidros a estilhaçarem-se à minha volta como se o seu eco não fosse silenciar-se nunca e gosto que sejam a minha passadeira honorífica. Gosto de ter de os pisar para passar para o outro lado, porque gosto que a dor e a loucura sejam minhas, se as escolho como deidades da minha apoteose última.
Gosto deste silêncio, desta ausência, como os meus dados da Fortuna a esse mundo lançados. Gosto de sentir o teu olhar severo, cravado na minha imagem como duas balas e de lembrar as tuas possíveis palavras, afiadas lâminas, neste silêncio...

Aqui jazo, sob a égide de um sorriso demasiado retórico.


XIV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_169
»» A Fotografia Que Sou

Pergunto-me se alguma vez reparaste num álbum de fotografias de família. Invade-nos a breve ilusão de que só há espaço para a felicidade, não é? Eu sou de opinião que essa breve ilusão faz bem, porque, por momentos, olvidamos todas as passagens da vida em que rastejamos até aos pés da loucura por um simples pedaço de alegria, – ou verdade – como se esse rastejar fosse mera decoração gasta e procedêssemos à sua remodelação com um sorriso resplandecente, quase intocáveis, quase divinos.

Sempre te vi assim.

...mas foi o meu sorriso (ilusório) que te tornou ilusão.

XIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_168
O céu de hoje invoca a memória de uma folha de papel em branco. Pergunto-me se os deuses quererão dizer-me que devo pegar na caneta e pintar o céu a meu gosto.


XII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_167
»» Carta Fora Do Baralho

Podia ter-me inebriado do sol deste novo dia: mas não o houve.


XI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_166
»» Restos

Vem-me à memória e é recebido com indiferença; talvez tolerância. Recordo as últimas palavras trocadas, o último ódio que me incendiou o olhar, o último reflexo de lástima que vi rastejar na sua expressão. Relembro a revolta que se apoderou de mim, o asco que me tomou enquanto dali dispersava.
Sinto um arrepio só de regressar ao momento em que me cravas alegremente uma faca nas minhas costas e à lucidez de como tudo mudou a partir desse dia.
Odeio-te porque me senti fugir para nunca mais voltar - e nunca mais voltei. Odeio-te porque foste tu – e tu tinhas-me ensinado a sorrir. Odeio-te porque era demasiado frágil e a magia que me conduzia a ti naquele dia fez-me chegar antes da hora de ajeitares a máscara. Eras feito de pedra e ver-te fez desmoronar a tua imagem em cima de mim. Não chorei porque não soube chorar. O sorriso abandonou-me, as lágrimas abandonaram-me, e só a ausência me recebeu de braços abertos porque tudo se reflectiu vazio, e eu vivo para o significado.
Ténues vozes içaram a meu lado a bandeira da força, como quem felicita a vida de um moribundo e não vê que lhe escapa entre os dedos. Não foi força. Foi alienação, desconstrução, silenciosa queda, desmaio esquecido dentro de mim.
Olho para trás e vejo-te à porta do meu abismo de mãos nos bolsos, sorriso nos lábios e olhar aceso para mim e toma-me a esperança – ou a raiva – de que te persiga e te doa tanto a culpa e a minha sombra como o ódio de ti só me finde no dia da minha sepultura.
Não preciso de rótulos áureos como ansiavas agora. Não preciso de nada teu. É como se viesses em busca de saque no meio de cinzas. Se houver justiça no mundo, essa busca há-de ter-te queimado as mãos, pois hei-de ser o teu mais doce tormento e, no que de mim depender, terás de viver com isso. E não o digo de ânimo leve; digo-o de ânimo vazio. Tudo isto é vazio. Tu és vazio, o que lá vai é vazio. O abismo é vazio. Vazio, vazio, vazio. E do mesmo modo vazio espero que te tenhas queimado também, que se te abram feridas por toda a tua Alma e que cada uma tenha o meu nome gravado, tal como sucedeu comigo.
Irónico, não é? A tua maldição é criação tua. Esqueceste-te apenas que vestir-me de Esfinge não me atiraria necessariamente para o precipício...
Por fim, fraquejaste na tua grande glória e vieste em busca de confortável aplaudir. Olvidaste apenas que odeio qualquer um dos teus gestos, que odeio a tua plateia e que te odeio a ti, como se não fosse capaz de mais nada. Porém, se for para te ver cair, fico no lugar da frente, ponho as mãos nos bolsos, sorriso nos lábios e acendo o olhar para ti. E quando o mundo te cair em cima e eu lhe carregar ainda mais, e rastejares por dentro, já sem saberes bem quem és e nada te fizer sentido, aí sim, estarás frente a frente comigo. Levantas-te devagarinho, sem noção ou presença, sem razão ou crença e hás-de vaguear como eu vagueei. Porque só aí deixarás de mentir. Só aí dirás “desculpa” e “eu compreendo” e será real; talvez sincero. Mas continua-me indiferente, porque este ódio é tão vazio como a sombra que és.
Nunca cheguei ao ódio porque fugi demasiado depressa. É um vazio com rótulo para que te despeças da porta do meu abismo, - de uma vez por todas – e eu me iluda em como removerei todas as pedras desta saída, repudiando-te como não fiz quando me soterraste.
Despejo restos de ódio apenas. Segue o teu caminho que eu sigo o meu. Obscureces-me a luz que atravessa algumas fendas e dói-te o caminho quando te mando embora. Sais com um sabor amargo e eu não sinto nada acerca disso: é que o mundo não gira à minha volta mas também não gira à tua. Mas a diferença entre nós é que eu nunca te tirei nada. Tu tiraste-me a capacidade de ver o mundo como o via. Fim da linha. Não te ouço e já nem sei do que falo.

Odeio-te porque é só o que me resta de ti.

Odeio-te porque foi a única alternativa que me deixaste.

X, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_165
Percorre-me a vontade de dizer que te odeio, embora eu saiba que, lá no fundo, esse ódio não é direccionado para ti; tu és só o mero objecto do meu ódio – não a razão. De qualquer forma, nem podias sê-lo, porque eu ando à deriva.
Olho para ti e é um olhar demasiado perdido, como quem perdeu a noção de algo que deveria saber vagamente. A mão que me arremessou a pedra desapareceu por entre a minha corte de neblina. E a vontade de a encontrar abandonou-me.
Mas nem é isto, nem és tu...


IX, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_164 - A little 'hei there!' before a bigger one
Alô alô!

Pois é, hoje, embora devesse estar a estudar, vou estar por aqui. E amanhã o mesmo. Apetece-me, olhem xD

Entretanto, vou "despejar" por aí os textos da semana.

P.s.: Mas que raio, aquilo é um título que se apresente? o.Ô
 
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Saturday, November 04, 2006
#_163
»» 1:11



Embriagar-me deste livro, cuja matéria pouco me cativa às suas extensas páginas e cuja relevância me ultrapassa no reino do meu sentir e compreender - talvez pelas horas; o sentir mais uma daquelas tuas exíguas gotas a contribuir antes para o meu paulatino transbordar; um certo distanciamento do lugar onde se fala a minha língua – que não sei identificar, só sei sentir... – o ver-te entre as outras pessoas sem que lá estejas; o sentir o teu silêncio a ecoar em mim de vez em quando e a atordoar-me; o sentir que estás aqui e não estás, embora vás estando sem estares; o sentir que me sinto a rodear por uma corte que não é a minha: o sentir que nada sinto aqui: talvez não seja eu quem está aqui.
Olho à minha volta e é tudo como imagens confusas de um sonho ambíguo. Não te vejo, não vos vejo, não estou aqui: não posso estar aqui se assim não sinto; mal sei por onde ando. Ando, mas não sinto o meu ânimo no meu andar. Mecânico, automático, mero reflexo morto, mero resto de vida a desvanecer.
Tivesse o meu olhar tal poder e tingiria estas paredes de escuridão. Eu ocultar-me-ia aqui por um momento, princesa do sono eterno, e, talvez, quando a eternidade me findasse, eu saísse a passo jovial lá para fora. Talvez conseguisse embriagar-me deste livro, talvez conseguisse dedicar-me a ele sem sentir nestas majestosas letras grades que me separam do meu mundo, - independentemente das horas - talvez sentisse uma razão nas tuas exíguas gotas antes do meu paulatino transbordar - e talvez não transbordasse, talvez compreendesse, por fim; talvez me explicasses: se me quisesses explicar: se eu te fizesse diferença: se tu me fizesses diferença: fazes; faço; mas nada importa: se, ao menos, algo fizesse diferença, raios! – talvez sentisse o meu dialecto a abraçar também este local, talvez te visse entre as outras pessoas e estivesses, de facto, lá, talvez ouvisse o que tinhas para me dizer com um secreto sentimento de apoteose, talvez sentisse que aqui estás e estivesses, talvez não sentisse hierarquias e categorias, talvez pudesse rasgá-las e desenhar um novo cenário para este dia: talvez me sentisse aqui, enquanto vou esboçando em linhas gerais o colapso do meu mundo com ímpio meteoro e talvez sentisse breve sorriso nascer-me nos lábios, um último breve sol antes de um amanhã mais solto de muros maciços, talvez, talvez...
Talvez olhasse à minha volta e sentisse jovial lucidez em cada passo. Talvez caminhasse contigo no olhar, convosco... Talvez eu, ao menos, aqui estivesse para dizer de minha justiça. Entretanto, relato o meu vago desencontro para com o mundo...

(Ao som de Fácil de Entender - The Gift)

VIII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_162
Bom dia!

Apenas o eco mudo da minha voz me cumprimenta; um nevoeiro estende-se como largo manto, por todo o céu. E por entre uma curta faixa que a cortina deixa ver, espreito o mundo lá fora. Frio. Gélido. Fúnebre. Olho à minha volta e não sinto ligação aos objectos que me pertencem. Não sei fundir-me a eles, como vejo os outros fazerem, e sair por aquela porta com o espírito ébrio de formalidade – embora seja para isso que aqui esteja(m).
Tudo me falha. Olho para trás, e vejo os vossos semblantes. Quanto mais fulcrais, mais distantes. Noutro momento, render-me-ia; noutro ainda, lutaria e não estaria aqui. Como fotografias gastas e esquecidas, guardamos tudo em certo álbum com a certeza inconsciente de que a sua deterioração as desvanecerá e tudo o que já foi irá com elas. Apenas restam breves sorrisos, breves olhares, breves conversas, que surgem quando não esperamos, como fantasmas, como folhas mal apagadas, mal rasgadas, mal devastadas...

VII, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_161
O impossível é a estrela mais brilhante do meu universo.

VI, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_160
Por mais muralhas que edifiques e trevas que inventes, o meu olhar mostra-me secretamente quem realmente és. Fico aqui, num lugar que se transformará no teu íntimo, o deserto que ansiarás por rasgar das formas do teu pensamento, por ter soterrado uma parte de ti.
Estimava, embora, que regressasses a quem és, na tua essência. Talvez eu não esteja lá para ver, mas que importa...?

O essencial é invisível para os olhos”.

V, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_159
Não sei que sentir acerca de ti. Não sei, por tentar desvendar. Se eu não tentasse desvendar, sentiria que sinto só a batalha de algo puro contra algo fero. Sentiria confusão e teria certezas. Mas busco síntese vã...

IV, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_158
Às vezes sinto-me incrivelmente pequena. Talvez apenas ganhe noção do meu tamanho real. Olho à minha volta e reparo nas órbitas que existem à minha volta - não à volta de mim: as que me circundam, seja por mero acaso, seja pela mão do Destino. E reparo que nenhuma se apercebe da outra; vêem-se como o astro dourado do universo, e não tomam consciência que não há astros, não há dourado – todos podemos sê-lo: mas ninguém o é. Se lhes falasse do que vejo deste ângulo, creio que lhes assaltaria apenas um breve estrondo, um breve ladrão de rua que sucumbe antes de entrar e saciar a fome.
A vida é um aglomerado de escolhas. Todos os dias as fazemos, nas mais ínfimas coisas. Escolhemos o sorriso ou a lágrima, o Amor ou o Ódio, ou mesmo a Indiferença, o pensar ou o sentir. (Mas o hábito adormece a mente e quase deixamos de o denotar...) E isso faz-me questionar: afinal quem somos nós? Se sentimos de um modo, e agimos de outro; se pensamos de determinada forma e no momento da verdade chocamos contra nós próprios; se...! Somos quem sentimos ser? Somos o que sentimos? Somos quem pensamos ser? Somos o que pensamos? Somos o que fazemos? Somos tudo isto? Ou estamos, pura e simplesmente, a ser, como actores que se dedicaram demasiado à sua personagem e nela se entranharam?
Está em mim acesa a derradeira noção da contagem decrescente do tempo. Não o nego. Olho à minha volta, e por entre densos bosques de nevoeiros, quase entrevejo o que mais odeio, o que mais me faz fugir. E quanto mais fujo, mais colido com a neblina. O ar galopeia-me como mil lâminas de gelo pelas vias respiratórias, o chão treme-me no olhar, porque as pessoas quase me esmagam com as suas esferas...
Eu não preciso de sol, não preciso de lua. Não preciso de estrelas, não preciso de mar. Não preciso de saber. Não quero saber. Não vou saber. Vou enclausurar-me - e reconheço-o mais ardentemente a cada dia que passa. Os ferros das portas que se fecham dentro de mim foram concebidos à pressa. Esqueci-me... esqueço-me sempre de me adaptar à métrica da vida. Não fiz a minha contagem, e agora arde...
Entre as minhas certezas petrificantes, está a de que me hão-de ver de novo, quando a última porta de se esperar. Hão-de aplaudir, bem sei. Mas espero que seja por mera formalidade. Aplaudir o vazio que me tentam vestir à força, saber que há-de assentar-me bem um dia - porque vão encontrar o meu tamanho exacto – causa-me tamanho ódio, que por breves momentos, sinto na hipocrisia das palmas algo mais puro.

III, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
posted by Esfinge at 19:36 | Permalink | 0 comments
#_157


Mais uma gotinha de cinismo tua a cair a meu lado. Deixa-la cair com tanta solenidade, com tanta subtileza e empenho vão em me abalares com um eco tão insignificante que quase te entrevejo para além do festival de que sempre te fazes rodear... Vês-me superficial e vazia, e por isso sinto pena de ti – até em mim te projectaste. Não posso conceber a tua lástima...
Se certo assunto ou memória se prende em ti, não me faz diferença: já não. Sinto mais fé em quem nunca vi. Hoje tenho certezas, e elas expulsam-te do meu mundo; viram-te as costas, como três fatais moiras.

(Ao som de Laços - Toranja)

II, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_156
Ingresso no reino da desconfiança; talvez indiferença. Ninguém tem o olhar de ninguém, ninguém pronuncia uma única palavra, ninguém esboça um breve sorriso.
E quanto mais avança, e quanto mais perto estou, mais me cerca a consciência de que nem reino é; é talvez o que resta do que nunca foi.
Chego, por fim. Instalo-me, para gravar estes devaneios. E enquanto eles imaginam profunda dedicação à formalidade, eu quase desmorono por dentro...

I, Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto
 
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#_155 - Coisas
Cari legentes,

O Tempo é escasso, exactamente como não são as matérias do curso de Direito. Por isso, porque não tenho net onde vivo em Lisboa e porque os escritos só têm valor quando dedicados a uma folha de papel – ou, já que estamos numa de tecnologias, a uma nova página do Microsoft Word... - sob a embriaguez de um devaneio, aqui ficam certas divagações que prenderam a minha atenção e me fizeram exprimir-me a horas que dava mais jeito conseguir concentrar-me em Economia Política ou História do Direito. Ou mesmo em tentar dormir.
De qualquer forma, e já que aqui estou, posso expor de forma mais ou menos objectiva como vejo o meu percurso universitário ou, se quiserem, o percurso de alguém que está a viver, de forma mais ou menos autónoma, fora de casa dos pais durante 5 dias da semana, dada a inexistência de estabelecimento de ensino respeitante a esta área na sua localidade: para mim, o ponto alto de estar em Lisboa são as pessoas (algumas! =]). Como disse Bernardo Soares, semi-heterónimo de Fernando Pessoa, no seu Livro do Desassossego, "O ambiente é alma das coisas." Talvez por isso me cative mais o lápis e as formas do meu pensamento concretizadas seja em palavras, seja em “arte” abstracta, que esses aglomerados de códigos, leis, fontes e famílias do direito.
Chegamos e dizem-nos de forma muito pipi “olhem pá, isto aqui é assim, o Direito não tem de se cruzar necessariamente com a Justiça. A gente vai ensinar-vos a jogar sob a camuflagem de ideologias bonitas, mas isso é só pra ludibriar quem está de fora. Aliás, vamos estabelecer desde já que isso é tudo treta. Criem um vazio moral e sejam os maiores sacanas que a Humanidade já viu. Façam-me ter orgulho de vos estar aqui a ensinar, meus monstros.” et voilá, aprendemos umas palavras eloquentes, ou um outro termo da coisa e começamos a sentir-nos no fantástico universo do Direito: um implacável jogo de xadrez onde cada peça e cada movimento são estudados até à exaustão e o único objectivo é, não necessariamente viver o espírito de um bom jogo de xadrez, mas esquartejar em mil pedaços o rei do outro jogador – nem que seja quando ele deixar cair alguma coisa e for apanhá-la do chão. Porque nada mais importa.
...e então isto consegue incrivelmente ultrapassar um bocadinho a vasta tonalidade de treta que esperava do Direito.

Deixo-vos, daqui em diante, com Desabafo Para Com As Paredes Do Meu Quarto.

(E, por fim, pra dar um ar jurídico a esta treta toda...)

Dura lex, sed lex

Saudações esfíngicas
 
posted by Esfinge at 19:17 | Permalink | 0 comments
#_154 - Shame on you
Em Lisboa, as pessoas normais são gamadas à luz do dia, assim num sítio cheiito, tipo o metro ou o bus; geralmente, - e essa é a parte realmente excitante de se ser assaltado/a! (ou então não o.Ô) – isto é feito com uma faca apontada à barriga ou ao pescoço, ou, pelo menos, a pessoa é completamente revistada e ameaçada, tudo isto de forma extremamente... marcante. Eu não, sou gamada num mini mercadito, enquanto transporto uns míseros iogurtes e umas bolachas rascas. Parte realmente deprimente: é que nem noto nada.
Anyway, espero que, whoever you are, te divirtas muito a ler todas as minhas mensagens recebidas desde o princípio deste ano até 1 de Novembro, esperando também que, se fores às notas do meu telélé, leias um ou dois do vasto elenco de textos que lá escrevi e que talvez viesse a publicar um dia no belogue, - que é uma coisa inédita a partir de hoje, aproveita! - e que, perante a esquizofrenia dos meus devaneios mais íntimos, tenhas um ataque de loucura e vás parar direitinho ali ó Júlio de Matos que é o que tu mereces. Espero também que tenhas um remate de consciência, e já que eu tenho também nas notas do meu telélé o meu número de conta, password pra tudo o que consulto na net, número de aluna, códigos importantes, número de bilhete de identidade, número de contribuinte, enfim, era porreirito da tua parte depositares uns fundos na minha conta e mandares um cartão cá pra casa assim com uma cesta cheia de chocolates caros, umas flores munitas ou mesmo uns peluches gigantescos, que eu gosto e mereço uma compensação.
Mas, no fundo, sei porque me gamaste o telélé. És um leitor atento, naturalmente fanático deste fantástico espacinho virtual e da minha pessoa, viste-me ali, num sítio público e pensaste “caramba, é a Esfinge, a miúda do meu belogue favorito!!!”, depois coraste, e ias falar-me, mas depois lembraste-te que eras tímido e ficaste com o meu telélé pra recordação. É lícito, eu compreendo. Os fanatismos dão sempre nessas cenas maradas, e tal como o título deste belogue tão bem deixa adivinhar, isto não podia dar coisa boa. Aliás, mais dia, menos dia, deixas aqui um comentário no meu belogue a dizeres que adoras o que escrevo e que foi esta a maneira disparatada que arranjaste para te conseguires aproximar de mim – gamares-me o telélé pra, futuramente, combinares um café comigo para a respectiva devolução e, by the way, te armares em herói, e denunciares que sou muita gira, se tenho namorado e tal, e por aí adiante. Enfim. Pois olha, quando vieres cá ao belogue, porque tu não vais resistir a aceder a esta url, (yup, eu tenho a minha própria url nas notas do meu próprio telélé, o que, apesar de ser uma cena absolutamente phenomenal, não é muito normal, aliás, chega a ser estúpido, mas pronto, quando se tem 40 notas disponíveis, é naquela, que se lixe...) e hás-de cá vir como um caniche amestrado ver quem eu sou e de que falo eu. Aproveito, por isso, a ocasião para te dizer que, se te sentires arrependido e quiseres devolver-me o meu telélé, porque vês que eu até sou uma miúda porreira, é fofo da tua parte, mas é um bocado gay, até porque o que tu fizeste foi um roubo digno da minha Pasmaceira City, o que te transforma num ladrãozito de segunda e sem presença, e eu teria naturalmente vergonha de te apresentar às pessoas como o amigo que há semanas atrás me tinha gamado o telélé num mini mercadito. Era constrangedor, tenta compreender, tenta compreender que isto temos de ser compreensivos uns prós outros.
 
posted by Esfinge at 19:04 | Permalink | 0 comments